Os passos da Amazônia

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Saímos  para caminhada às cinco da manhã. Faz algum tempo, mas, não esqueço.   Caetano, eu e o Gualberto. Beirando o Rio Amazonas, em Macapá. Vinha um vento gostoso do rio para a cidade, trazendo mais umidade da floresta imensa e do “rio-mar”.

Demos uma volta, olhado de perto o Forte São José, fortaleza do século XVIII, construído ali pelos portugueses, para defesa do nosso território. O passado entrou no presente. Nós nos transformamos em Macapá, no rio e o no Forte. Uma energia boa, incrível.  Dizendo que o homem, quando quer,  faz obra, que não se entende como foi feita. Basta olhar as Pirâmides do Egito. Uma engenharia fina. Como subir uma pedra de várias toneladas? Já sabiam usar alavancas e guindastes.

E Fomos conversando, bem animados. Avenida beirando o Rio Amazonas, mais acima, um amontoado de gente, na praia e nas calçadas, carro chegando e saindo. Passamos para o outro lado da rua. Imaginando ser confusão de gente bêbada, saindo de festas ou boates. Porque era sábado.

Desviamos. Fizemos as curvas do rio. E sumimos pra cima da cidade.

O Forte ficou pra trás. O Rio Amazonas não nos deixava. Retornamos para o outro lado, o fuzuê de gente se apagou. A minha curiosidade era imensa. Eu queria saber que ritual aquela gente, fazia ali na beira do rio. Perguntei a um casal que descia em sentido contrário, o que era aquilo?

– Era a FEIRA DO AÇAÍ.

Gente do céu! Feira do açaí? Gente demais. Conversando alto em algazarra. Alguns gritos. Voltamos. Entrei no meio da feira, entre “paneiros” cheios de açaí, gente chegando e saindo, comprando açaí. Muito açaí. Vem do outro do rio. Pará e Amapá. O “paneiro” é a unidade de medida, um cesto amazônico, feito de talas de guarimã.

Fiquei ali me deliciando com aquele movimento. Cada cidade com o seu movimento. Com sua identidade, singularidade. A sua economia.

E a floresta oferece muito, tem muito, quase tudo e ainda muita coisa admirável, pode se extrair dela. O açaí ganhou o mundo, franquias, lanchonetes, feiras das cidades do norte, restaurantes. O açaí sozinho invadiu as academias de ginástica. O gosto exótico da Amazônia. Como se diz: “o açaí é o petróleo da Amazônia”.

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