Nossa Senhora da Conceição

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Pra quem rezar todas as noites? Para quem pedir a saúde na hora da dor? Para quem pedir que as vendas do seu armazém continuasse? – À Nossa Senhora da Conceição.
Havia uma  equivalência na devoção;- o nome. Minha avó se chamava Joaquina Aires Conceição.  Era mais ou menos um acordo entre as duas “conceições”.
A novena começava decretada para se fechar no dia 8 de dezembro, dia consagrado à Santa . As rezadeiras aglomeravam-se na sala para as ladainhas. Os pecados sumiam e novos pedidos de bem-aventuranças eram feitos. Nossa Senhora da Conceição lhe trazia alívio e a momentânea felicidade.
Joaquininha viveu assim, morreu de velha. Como morreram suas rivais, como morreram seus amantes, dois  filhos, seus vizinhos e tudo passou e o mundo não registrou nenhum dos seus pecados, nem sua imagem, nem sua vida. Ela viveu e hoje continua bem firme compondo os seus cinquenta e cinco quilos diluídos neste universo imenso. Suas partículas dançam floridas e invisíveis. Todas santificadas.
A meninada no seu canto,  de fora,  ficava mesmo era cuidando dos biscoitos de amor-perfeito, gravetos de polvilho, cachos de banana, pacotes de bolacha e nem se atinava para reza nenhuma. A gente gostava era da festa  e botar fogo em cartucho de pólvora na rua. O clarão espantoso era o que nos interessava
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