Brinquedo caro

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De qualquer forma,, por conta própria, com financiamento público, por doação, uma campanha eleitoral, sempre é muito cara. Primeiro deve-se contar o tempo que você dedica a ela. Deixou de trabalhar. Deixou de ganhar. A campanha ficou mais curta, é verdade, mas, com um tempo alongado de pré-campanha.

Ninguém sabe porque entra numa campanha. Só sabe dizer que entrou. O mais importante de tudo é a convicção da vitória. Os cálculos. Você pode perguntar a qualquer candidato, a sua “calculometria” do resultado.

Ele soma, fácil, fácil e analisa o contexto dos companheiros de disputa, o coeficiente, isto e aquilo, que tem um amigo nos cafundós do Judas. Que tem um compadre no raio que o parta. Que tem muitos irmãos de igreja, no Estado inteiro.

E não tem como não ganhar.

E vai se iludindo, vendo carneirinhos nas nuvens. Vai mexendo os pauzinhos e que vai sobrar votos, e muitos. E aí começa a reclamar da falta de dinheiro, que pode até não ganhar, por causa da compra de votos por fulano e beltrano.

Que o presidente do partido prometeu cinquenta mil, que o amigo vai doar mais vinte mil, e bobo leléu acredita nestas balelas todas. E começa a pegar dinheiro emprestado, pega de um, pega de outro, compra combustível fiado. E sempre semana que vem entra dinheiro. Que o fundo público de campanha vai chegar para ele.

E fica esperando, até o dia da eleição. Chegou o dia da eleição.

A esperança é grande, maior ainda é a dívida na praça. Fechou a votação às 17 horas. E um aperto no peito, vai batendo forte o coração. Voto que é bom vem em conta-gotas. A dívida está grande. E as “formiguinhas “estão aí na porta da rua.

E nem voto e nem dinheiro. É uma desgraça. E se dana a botar culpa no eleitor, que é traidor. Que nunca viu gente tão mentirosa. Que promete e não cumpre. É por isto que este País não vai para a frente. E que nunca mais na vida, esconjuro de campanha, vou mandar todo mundo “pros infernos”.

O candidato, “quase” que poderia ter sido eleito, e ,não foi.  Vai passar os próximos quatro anos, tirando da boca, para pagar as contas da maldita campanha.

Ai meu Deus, bem que falei, diz a mulher, morrendo de ódio, de tanta conta, tanto cobrador, com os cabelos arrepiados de raiva, de tanto conselho que deu e nada, nada, nada.

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