A energia do corpo presente

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Para alguns, este ano, a pré-campanha e a campanha foi fácil. Não houve suor e pé na estrada. Agora, pra mim, não foi moleza, e, apenas, uma amostra, de um dia, um só, sábado, 21 de abril deste ano, quando visitei Cacaulândia e Monte Negro. Dia  quente, as chuvas estavam raras, já se despedindo da estação. Mesmo longe da eleição, tudo se parecia com as prévias americanas. E nada se sabia do futuro. Tanta peleja que teria que enfrentar dentro do partido, golpes de espadachim,  para garantir a vaga em convenção. O mundo opaco do futuro. E nele se mergulha com enorme chance de engano.

E sempre, os  aqueles de sempre, como irmãos, mais que irmãos, devotos defensores, em cada lugar, há devotos companheiros, que no decorrer do tempo, foram se atando seus umbigos aos meus, que passei a ser um enorme polvo, de centenas de pernas, de fímbrias ao meu corpo, com seus afetos, sem horas, dispensando suas obrigações para o acompanhamento nas visitas. Cacaulândia e Monte Negro, nem se fala como foi os seus começos. E agora, tem formato agradável das cidades pequenas, aconchegantes, onde todo mundo conhece todo mundo pelo nome. As famílias pioneiras, grandes, ampliadas ainda mais agora, com filhos, noras, genros, netos e bisnetos: Biff, Bortoloto, Falcão, Batista, Ronconi, Zanotelli e tantas outras.

Neste entremeio, entre as duas cidades, o dia preenchido pelas buscas e encontros, Altamira e Venâncio, como escoltas pacificados, indo às igrejas, vereadores, prefeitos, agroindústrias. E aqui, eu paro, eu paro de verdade, estarrecido, de ver como uma simples iniciativa local, tomou tanto rumo diferente e vem andando, pelo Estado inteiro, as agroindústrias de biscoitos de Gretchen, de chocolate, de polpa de frutas, leite e derivados, e, eu fui escorregando entre elas, movido por um entusiasmo incrível, quase enlevo, o reencontro com as famílias, que em grande parte, conheço a todos pelo nome e do outro lado a obra, que será perenizado pelo próprio povo. A boa política fica grudada na conveniência e no interesse das pessoas. E tudo que se faz, na vida pública, não lhe pertence. E deve ser esquecida, porque há naturalmente, uma incorporação natural à paisagem e ao patrimônio de todos.

O dia passou, como se  o sol não se movesse. Como uma flecha lançada, o dia zuniu como se o tempo não existisse. O  almoço na casa da Avelirde Bortoloto e Euclides Biff, juntando a enorme família, como em tempos vividos, outros, longínquos. Enquanto a idade marcando as pessoas, suavemente, saltitando os devidos momentos, agora, avós, agora, claudicantes, mas, ainda conservados na juventude da ousadia e na  aventura do pioneirismo. Como valeu a pena. Confesso, quando cheguei em casa às  22h, depois de um labirinto de movimentos, abraços, conversas, explicações, confesso-lhes que o cansaço que deveria sentir, não senti e tudo se transformou num dia alegre e feliz.

Uma campanha tem mais valia a emoção, o contato, a proximidade do que o discurso. Ninguém presta atenção em mais de três minutos de discurso. Por fim, no inconsciente de tudo, no latejar das profundezas da terra, na vibração das ondas e das correntes de ar, há uma comunicação ainda não estudada, o forte efeito coletivo pela mudança. Isto só se encontra nos países democráticos, onde a liberdade se manifesta vivamente. E que se repete com certa regularidade, como os cometas, que vão e voltam. Eu fui andando, deste jeito, porque sempre foi a minha preferência – a proximidade com as pessoas.

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